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o grupo

“Esse boi é a minha vida, o meu sangue, o meu tudo.
Foi ele que me restou. Crianças, vocês são ótimos
e quem tem uma turma assim bonita, forte, cantadora
é o meu Senhor São João Batista.”


( Apolônio Melônio, em depoimento feito a Maria Michol,
para o livro “Matracas que desafiam o tempo”)

Sr. Apolônio é um dos brincantes do Maranhão mais antigos e bem respeitados pela sua experiência e vivência na fundação de vários grupos de boi, desde quando começou ainda moço em 1926.

Este boi representa o ritmo dos bois da região da baixada maranhense, chamado sotaque de pindaré ou da baixada, região onde o seu fundador nasceu, mais precisamente na cidade de São João Batista.

Traz como estilo e vestimenta, os chapéus bordados, enfeitados de pena de ema, o personagem do cazumbá, e um ritmo mais cadenciado e lento.

O grupo tem 150 componentes, são mulheres, homens, crianças, jovens e adolescentes divididos em atores, dançarinos e cantadores. Cumprindo diversos personagens como as índias, os guerreiros, os baiantes, os cazumbás, o pajé, a burrinha, a onça, Catirina, Pai Francisco, amo, vaqueiro e o boi.

O boi de Apolônio tem sua sede própria no bairro da Floresta em São Luís do Maranhão. Um bairro que possui muitas manifestações folclóricas, porém é carente de necessidades básicas, sofrendo cada vez mais com a violência urbana que cresce.

Desde 1972 o boi se transformou na Associação Junina Turma de São João Batista, e tem um trabalho de formação com crianças e adolescentes, desenvolvendo atividades de bordado, confecção de careta de cazumbá, chapéus e instrumentos de percussão.

1- Reunida (de João Sá Viana)

2- Lá Vai (de Anastácio)

3- Eu não esqueci da baixada ( de Mundoca Pinheiro)

4- Centro de Zé doca ( de Abel Teixeira)

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histórico


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ensaios

O período da quaresma, 40 dias, a contar do carnaval, termina no sábado de aleluia, quando todos os batalhões reunem-se para iniciar a preparação das toadas, das indumentárias, momento em que entram pessoas novas, e recomeçam os ensaios das coreografias das índias e guerreiros, novas toadas são criadas e cantadas, e se organiza tudo que será apresentado no período junino. O último ensaio ou “ensaio redondo” acontece no dia de Santo Antônio, dia 13 de junho.

 

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batizado

Nos bois mais antigos ou tradicionais a escolha dos padrinhos é seletiva e o que mais conta é a afinidade do escolhido com o grupo cultural, quase sempre é uma pessoa que tem carinho, consideração e simpatia com todos, ou uma pessoa importante que tenha ajudado o grupo.

A  principal característica desse momento é o batizado do “couro novo”, o novo bordado do boi, com rezadeiras cantando uma ladainha em latim, as vezes acompanhado de uma pequena banda.

É quando o batalhão guarnece, se junta no barracão, e fica  preparado para enfrentar  o mundo, atingindo assim a sua maioridade. Depois do batismo, o boi faz visitas durante a madrugada toda, e começa  as apresentações para o público.

O batismo acontece na madrugada do dia de São João de 23 para  24 de junho.

 

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matança

Esse terceiro momento finaliza o ciclo de vida do bumba-meu-boi daquele ano . Em torno desse acontecimento, os brincantes mais antigos sentem tristezas  e também muita alegria pela realização e continuidade da festa.

Todos os dias é distribuído muita comida, as carnes do boi verdadeiro que é morto, é dividido para os integrantes e a comunidade da Floresta que vem visitar a festa.

A matança dura mais de uma semana com preparação, levantamento e derrubamento dos mourões, lugar onde o boi é preso e morto.

Acontece  uma encenação chamada por alguns de matança ou auto,  mostrando o conflito do boi que não quer morrer, e o vaqueiro e os cazumbás querendo pegar o boi.

Enquanto isso os cantadores vão puxando as toadas que contam a história, até que o boi morre, e fazem a encenação do sangue do boi com o vinho, e a distribuição para todos que estiverem presentes e quiserem beber o “sangue do boi”.

 

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