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instrumentos

Matraca: O instrumento mais popular do boi no Maranhão. Usado nos bois de sotaque da baixada ou pindaré e matraca ou ilha. São tabuinhas de madeira que podem  medir em torno de 25 centímetros de comprimento ou até meio metro de madeira. Batem uma na outra no sentido vertical ou horizontal, e repinicam num som estridente.

Maracá: Usado pelos cantadores, baiantes e amos de boi. Antigamente, o instrumento era feito de cabaça e cabo de madeira, cheio de pedras, grãos de milho ou chumbinho, adornado com penas, servindo para dar ênfase às falas dos pajés durante as curas. Hoje feito de latão, é utilizado em todos os sotaques de boi no Maranhão.

Tambor Onça: É a base rítmica do boi, usado nos sotaques de pindaré, matraca e zabumba. Da mesma família instrumental da cuíca, possui uma vareta do lado de dentro que produz som semelhante ao rugido da onça.

Pandeirão: Grande pandeiro confeccionado em madeira flexível, geralmente genipapo, e cobertos com couro de cabra. Afinados a fogo, com diâmetro de um metro aproximadamente.

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personagens do boi

Boi: É a figura central da história. A estrutura  ou armação do corpo do boi é feita de talos de buriti ou de geniparana, e o couro que cobre a armação é feito de veludo preto bordado com missangas, paetês, canutilhos e tudo que possa encher de brilho o novilho. Prende-se à armação a barra do boi, uma saia de tecido colorido. A pessoa que fica dentro e conduz o boi é chamada de miolo ou tripa do boi. A cabeça do boi é feita de madeira e o chifre é natural, encravado na madeira. Suas pontas são enfeitadas com fitas coloridas. Costumava-se montar os olhos com uma fava silvestre chamada”olho de boi”, hoje, porém, é comum o uso de bolas de gude porque proporciona um efeito de maior realce. Todo  o ano o bordado do boi é renovado e batizado na véspera de São João.

Pai Francisco: Também conhecido como Nêgo Chico. É o vaqueiro e empregado da fazenda. Usa uma máscara normalmente de tecido. É responsável pela morte do boi do fazendeiro para atender aos desejos de sua mulher. O papel desempenhado por este personagem  tem um caráter cômico.

Catirina: É a mulher de Pai Francisco, que está  grávida e tem  desejo de comer a língua do boi mais bonito e predileto do patrão da fazenda. Antigamente só era representado por um homem vestido com roupas femininas e um  enchimento na barriga para parecer que está gestante, hoje em dia já se encontra algumas mulheres da comunidade exercendo este papel.

Amo: Dono da fazenda e do boi, cantador e amo. Suas roupas são muito brilhantes e bordadas, e tem sempre à mão um maracá e um apito, com os quais dirige toda a encenação.

Dona Maria: É a mulher do fazendeiro, a patroa. Quase não tem função no auto e é representada por um homem vestido de mulher.

Cazumbá: É um personagem característico dos bois de sotaque da baixada ou de pindaré,  no Maranhão. É muito solto, mas gosta de andar em bando. Não possui uma coreografia definida do início ao fim, ele vem na frente, é o que puxa o início da roda na brincadeira do boi, abrindo o caminho. Além de assumir um papel humorístico, é também muito misterioso, cercado de magia e responsabilidades. Tem a função de distrair a platéia antes do auto começar e também ressuscitar o boi. As máscaras ou caretas podem ser de tecido ou de madeira, com formato de algum bicho, com focinho, cabeleira ou do tipo igreja. A criatividade do cazumbá é livre.

Vaqueiros: Também conhecidos como Rajados, são empregados do fazendeiro. Não são apresentados em número fixo. Nos bois de zabumba são chamados caboclos de fita. Em alguns bois existe o primeiro vaqueiro, a quem o fazendeiro delega a responsabilidade de encontrar Pai Francisco e o boi sumido, e seus ajudantes que também são chamados vaqueiros ou rapazes. É o personagem que dança com a figura do boi.

Rapazes: São empregados do fazendeiro. Usam roupas mais simples que a dos vaqueiros e também não tem um número fixo.

Doutores ou Pagés: O curador, o conhecedor da medicina e da cura, às vezes pode ser até o cazumbá.

Índias ou tapuias, índios guerreiros e caboclos de pena: Têm a missão de localizar e prender Pai Francisco. Na apresentação do boi proporcionam um belo efeito visual, devido à beleza de suas roupas e da coreografia que realizam. O caboclo real, ou caboclo de pena, são personagens de grupos de boi com sotaque da ilha ou matraca, possuem a mais rica indrumentária do boi, com penas de ema tingida em várias cores. As tapuias são as índias do boi de zabumba.

Caipora: É uma boneca grande, que mede em torno de dois a três metros de altura, e persegue assustando Pai Francisco, quando ele mata o boi e foge da fazenda.

Burrinha: É o segundo animal mais importante da brincadeira, inferior apenas ao boi. A estrutura ou armação do corpo da burrinha é feita de cipó ou buriti, e seu couro é de chita. Um brincante entra no buraco, local onde seria a cela, para dar a impressão de que a pessoa está montada, sustentando a burrinha através de suspensórios. Alguns grupos acrescentam figuras de animais como emas, carneiros, garças, onças, águias e urubus.

 

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